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17/01/2018
Tratamento das infecções respiratórias - Segundo visão do Geriatra

Diversas infecções respiratórias como rinossinusites, faringites, traqueobronquites e pneumonia podem acometer a população geriátrica.

Os pacientes idosos são mais vulneráveis a processos infecciosos respiratórios devido a mudanças fisiológicas pulmonares associadas ao envelhecimento. O pulmão e a caixa torácica no paciente idoso apresentam menor complacência, há redução do clearance mucociliar, e redução de força da musculatura respiratória, que pode ser causada por deficiências nutricionais ou pela sarcopenia (perda de força muscular com o envelhecimento). Assim, quando o paciente apresenta um processo infeccioso pulmonar, ocorre uma piora acentuada da complacência pulmonar e aumento da resistência de vias aéreas, podendo mais facilmente ocasionar hipoventilação e falência respiratória.

Outros fatores de risco peculiares nesta faixa etária são as mudanças no sistema imunológico caracterizados por uma redução da imunidade humoral, a broncoaspiração principalmente em pacientes com demência ou com sequelas de acidente vascular cerebral, a colonização de vias aéreas superiores e a presença de diferentes comorbidades.

A pneumonia é muito frequente em idosos, aproximadamente 1 em 20 pessoas acima de 85 anos apresentarão um episódio de pneumonia adquirida na comunidade todo ano¹. É também uma das principais causas de morbidade e mortalidade em idosos.O diagnóstico e tratamento dos pacientes geriátricos são desafiadores, tendo em vista que a apresentação clínica na maioria das vezes é atípica e o atraso no diagnóstico e tratamento apropriado pode piorar o prognóstico.

Os pacientes idosos com pneumonia geralmente não apresentam febre, a tosse é leve ou ausente, por outro lado, o estado confusional agudo (delirium), quedas não explicadas, incontinência, dificuldade no manejo de comorbidades pré existentes, podem ser indícios de um quadro infeccioso respiratório. Taquipnéia (>20 ipm) e taquicardia (>100bpm) ocorrem em cerca de 2/3 dos idosos e podem preceder outros achados clínicos em cerca de 3 a 4 dias ² ³. Segundo estudo de Harper et al, a tríade de sintomas tosse, febre e dispnéia estava presente em 56% de pacientes admitidos por pneumonia adquirida na comunidade e 10% dos pacientes não apresentavam nenhum desses sintomas⁴.

Outra peculiaridade desta população é a maior incidência de polifarmácia (uso de 5 ou mais medicações)⁵.

Nos pacientes com diagnóstico de pneumonia, os principais fatores associados a pior prognóstico são a idade, presença de comorbidades clínicas e desnutrição⁶ ⁷.Outros fatores incluem: admissão procedente de instituição de longa permanência de idosos, pacientes acamados, presença de delirium, frequência respiratória maior que 30 por minuto, proteína C reativa maior que 100, hipoalbuminemia, disfunção aguda de outros órgãos (renal, cardíaca), comprometimento de vários lobos, suspeita de aspiração e presença de alteração na deglutição. As complicações relacionadas à pneumonia como sepse grave e choque séptico são mais comuns na população geriátrica.

TRATAMENTO

O tratamento das infecções respiratórias é realizado na maioria das vezes de forma empírica. Diferentes classes de antimicrobianos podem ser utilizados.A escolha deve basear-se na procedência do paciente (ambulatorial, hospitalar, instituição de longa permanência), se há presença de fatores de risco germes multiresistentes (listados acima), se há achados sugestivos de pneumonia por germes atípicos (Legionella), ou se há suspeita de infecção pulmonar por influenza, incluindo o subtipo H1N1.

PREVENÇÃO

Para prevenção de aspiração deve se realizar mudança da posição da cama (cabeceira elevada), mudança na dieta (preferencialmente alimentos com consistência pastosa, líquidos com espessantes), e higienização oral apropriada.

Vacinação anti-pneumocócica com vacina 23-valente é recomendada para pacientes idosos e que apresentem doenças crônicas.

Vacinação para Influenza é segura e efetiva, e associada à redução dos casos de pneumonia. Para pacientes institucionalizados a vacinação tanto dos pacientes como da equipe de saúde reduz mortalidade entre os pacientes.

Ambas as vacinas podem ser aplicadas simultaneamente em momentos distintos.

CONCLUSÃO

Portanto, o diagnóstico e o tratamento de infecções respiratórias em idosos são desafiadores. São comuns nessa faixa etária sintomas atípicos que atrasam o diagnóstico. Além

disso, os pacientes apresentam uma reserva funcional limitada, maior risco de complicações associadas à pneumonia, e maiores taxas de mortalidade.

O tratamento deve sempre ser realizado idealmente com equipe multiprofissional.

E finalmente, o uso adequado de antibióticos em momento oportuno pode melhorar a sobrevida destes pacientes.

Referências

1 - Jackson ML, Neuzil KM, Thompson WW, et al. The burden of community acquired pneumonia in seniors: results of a population-based study. Clin Infect Dis 2004; 39:1642–1650.J Clin Epidemiol. 2002 Aug;55(8):809-17.

2- Fein AM, Feinsilver SH, Niederman MS. Atypical manifestations of pneumonia in the elderly. Clin Chest Med 1991; 12: 319–36.

3- McFadden JP, Price RC, Eastwood HD, Briggs RS. Raised respiratory rate in elderly patients: a valuablephysical sign. BMJ (Clin Res Ed) 1982; 284: 626–27.

4- Harper C, Newton P. Clinical aspects of pneumonia in the elderly veteran. J Am Geriatr Soc 1989; 37:867–72.

5 - Linjakumpu T, Hartikainen S, Klaukka T, Veijola J, Kivelä SL, Isoaho R.Use of medications and polypharmacy are increasing among the elderly.

6-Kaplan V, Angus DC, Griffin MF, Clermont G, Scott Watson R, Linde-Zwirble WT. Hospitalized community-acquired pneumonia in the elderly: agea nd sex-related patterns of care and outcome in the United States. Am J Respir Crit Care Med 2002; 165:766–72.

7- Riquelme R, Torres A, El-Ebiary M, et al. Community-acquired pneumonia in the elderly: a multivariate analysis of risk and prognostic factors.Am J Respir Crit Care Med 1996; 154: 1450–55.

Clínica de Geriatria Kayano

Dr. André K. Priante Kayano

Médico Geriatra - CRM/PR 33127 | RQE 18981

Fonte: Revista SOS Saúde

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